Que tal falarmos da Teoria da Modificabilidade Cognitiva de
Reuven Feuerstein. Em 2006 participei de um curso chamado PEI – Programa de Enriquecimento Instrumental no Senac e foi aí então que entrei em contato com a teoria da Moificabilidade Cognitiva. Nesse curso sou agraciada pois acabei tendo aulas com duas das professsoras autoras também do livro
“A Mediação como Princípio Educacional – Bases Teóricas das Abordagens de Reuven Feuerstein” de Ana Maria Martins de Souza, Léa Depresbiteris e Osny Telles Marcondes Machado, da Editora Senac. Outro livro também usado para essa fundamentação é o livro, “Aprendizagem Mediada dentro e Fora da Sala de Aula”, (2002), também da Editora Senac. Vamos conhecer um pouco sobre Reuven Feuerstein e logo em seguida falaremos da teoria, está bem?
Primeiro vamos conhecer um pouco de Reuven Feuerstein.
Feuerstein nasceu em Botosan, Romênia em 1921. Em 1952, formou-se em Psicologia Geral e Clínica. Em 1970 obteve seu doutorado em Psicologia do Desenvolvimento na Universidade de Paris – Sobornne.
Feuerstein é de família grande ao todo nove irmãos. Desde cedo é estimulado a cooperar com seus irmãos primeiramente com os irmãos da mesma idade estimulando uma mediação horizontal e também com os irmãos mais velhos e os pais estimulando a mediação vertical. Em 1944, Feuerstein teve contato com as crianças salvas do holocausto. Feuerstein trabalha nessa época na organização israelita Youth Aliya Child que repatriou para Israel crianças de vários países com o intuito de resgatar física, moral e educacionalmente crianças e jovens que sobreviveram ao holocausto e de outras condições difíceis em seus países. Isso fez Feuerstein refletir e o estimulou a pensar sobre a questão profética de Ezeklian, “De algum modo, esses ossos viverão”. (Souza, 2004)
Feuerstein acredita que todos indivíduos podem se desenvolver se lhes forem dadas a oportunidade de se engajarem num modelo correto de interação. (Aprendizagem Mediada Dentro e Fora de Sala de Aula, 2002).
Feuerstein identifica dez critérios ou tipos de interação que considera serem a base para que haja mediação.
1º Critério de Aprendizagem Mediada de Reuven Feuerstein: A Mediação da Intencionalidade e Reciprocidade.
Feuerstein acredita que qualquer pessoa interessada no desenvolvimento do mediado pode ser um mediador, pais, professores, terapeutas, pessoas que cuidam dessa pessoa, assim arregace as mangas. E vamos ao trabalho.

A Mediação da Intencionalidade e Reciprocidade consiste em colocar propositadamente uma lente de aumento sobre um determinado estímulo. Ou seja, na mediação da intencionalidade e reciprocidade o professor deve trazer elementos que causem um impacto ao mediado. Quanto mais estímulos o mediado receber mais ele terá elementos que irá propiciar que o mediado dê uma resposta (a reciprocidade). O mediado ficará assim mais atento, e a esse estado Feuerstein dá o nome de “estado de vigilância”. E esse estado proporcionará ao mediado se tornar um aprendiz autônomo. Em nossas aulas podemos levar elementos para uma extensa contextualização que vai colaborar para que o aluno dê uma resposta. Podemos iniciar essa contextualização partindo do conhecimento prévio do aluno, da realidade dele, e quando trabalhamos com grupos maiores essa eliciação será ainda mais enriquecedora. Aqui podemos fazer uma ligação com a própria vida de Reuven Feuerstein cuja família estimulava a mediação entre os irmãos da mesma faixa de idade. Não é interessante perceber como Reuven Feuersein além de todo o conhecimento e graduações traz consigo toda essa experiência de seu próprio ambiente familiar?
Para que o mediador tenha sucesso quando irá iniciar um assunto, tópico novo, sugiro que o mediador conheça bem o mediado. Quanto mais soubermos do mediado mais teremos elementos para fazermos a mediação. Para isso sugiro a leitura do livro Manual de Sobrevivência Para o Professor Particular (de Idiomas) onde as autoras Maria Rita Bicudo Pereira Costa Rosa e Sílvia Manuela Jardim Leandro Junqueira Franco, (2006, Editora Disal) dão um modelo com questões para que possamos conhecer melhor a pessoa que será mediada (pág. 76).
Recomenda-se também que o mediador sempre faça atividades de aquecimento. Essas atividades são muito propícias. Elas ajudam o mediado a se descontrair, a se preparar para a atividade, elas também vão ajudar para que o mediado esqueça um pouco o mundo lá fora. E quem é que não gosta de uma atividade lúdica para descontrair, não é mesmo? E essa atividade pode ser uma música, ou um jogo com uma pequena bola, onde o mediador fala uma palavra e o mediado tem que falar uma outra palavra que comece com a última letra da palavra dita pelo mediador, simples assim, não é mesmo? Essas atividades estimulam um vínculo afetivo entre mediador e mediado, imprimindo valor a atividade. É nesse momento que iremos sentir como está o nosso aluno nesse dia. Assim poderemos adaptar nossas atividades para aquela ou essa situação.
Gisele Marçon Bastos Périgo e Jacira Gutierrez Motta em seu texto: “Leitura em Língua Estrangeira: Percorrendo um Caminho” publicado pela Richmond “Inglês na sala de aula: ação e reflexão” valorizam a importância desse critério de mediação. Elas estimulam os alunos a refletir sobre sua aprendizagem, desenvolvem a autonomia nos alunos, elas fazem com que os alunos aprendam a aprender.
References:
Inglês na sala de aula: ação e reflexão / organizadora: Sandra Possas. – 1. ed. – São Paulo: Moderna, 2010 – (Coleção Richmond reflections)
Aprendizagem mediada dentro e fora da sala de aula / Programa de Pesquisa Cognitiva, Divisão de Educação Especializada da Universidade de Witwatersand, África do Sul – 3ª edição – São Paulo: Instituto Pieron de Psicologia Aplicada, 2002.
Souza, Ana Maria Martins de. A Mediação como princípio educacional: bases teóricas das abordagens de Reuven Feuerstein/Ana Maria Martins de Souza, Lea Depresbiteris, Osny Telles Marcondes Machado. – São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2004.
Rosa, Maria Rita Bicudo Pereira Costa. Manual de sobrevivência para o professor particular de idiomas/Maria Rita Bicudo Pereira Costa Rosa, Sílvia Manuela Jardim Leandro Junqueira Franco. – São Paulo: Disal, 2006.